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Solipsist…

Como ando em tempos de pouca criatividade: algumas pessoas me perguntam de onde vem o nome do blog. Ele foi inspirado por essa música da Lauren Hoffman, que me levou a descobrir o que a palavra significa, e me pareceu apropriada para o que eu queria publicar neste blog.

[Solipsismo:

Corrente filosófica que determina que exista apenas um Eu que comanda o Mundo, ou seja, o mundo é controlado consciente ou insconscientemente pelo SER. Devido a isso, a única certeza de existência é o pensamento, instância psíquica que controla a vontade. O mundo ao redor é apenas um esboço virtual do que o Ser imagina. Como também as pessoas, acreditando que são resultados de uma experiência mental.]

Solipsist
(Lauren Hoffman)

Here in the dark, dizzy from the stars that light your face
the winter makes you shake, let me be the warm place
´cause I burn with the fire of a lifetime waiting for you

If nobody sees us, do we exist?
Don’t ever fall in love with a solipsist
If I´m falling to pieces, can he make me whole?

If nobody sees me break will I make it on my own?

You burn through the film in shades of the sunrise
I am the moon, ablaze in the first light

I’ve been watching their faces, I’ve seen through their eyes
I´ve wandered through places where the desperate tell their lies
They pass like an ocean, over my skin
I’ve been holding my breath for years so they won’t get in

Abstinência

Parabéns, parabéns pra ti
Que tantas coisas conseguistes
Madrugadas insones
Da inspiração, amantes

Junto as mãos, faço mesuras
Sonhos cruéis, doces criaturas
A tortura silenciosa da ausência
Quem de intenções tão puras
Nunca se aborrece? - Dói!

E eu me repito, e tu também
Do vazio não se enxerga nada
Mais pra lá, muito além!
Não é por ninguém que eu choro
]Senão por mim[

[N.S]

Incontrolável

Qual dia não nasceu ontem?
Qual manhã não amanheceu hoje?
O sol se levanta e permanece noite.

Qual sentimento a gente controla?
E qual não?
Anoitece na noite que não acaba…

[N.S]

O frio

O frio hoje parece entranhado em mim
Tua voz triste ao telefone…
O frio endurece minhas articulações
Minhas lágrimas ao me despedir, eu sei que você percebeu
O frio, sempre ele, não me deixou sair da cama
Tua voz, minhas lágrimas, frias
Até quando?

A Saudade

Tanto tempo, tanto tempo juntas…
Posso imaginar o que sonhas quando dormes ao meu lado
Posso, quando longe, saber em que lado da cama estás
Eu sei o teu café da manhã, o teu almoço, o teu jantar;
sei as tuas drogas e as tuas pequenas felicidades
Amo nossa pequena família
O tanto que te incomodo, eu sei
O que eu te trago de bom talvez eu tenha esquecido
Mas eu sei, eu sei que eu sei…
Que eu ainda amo o que me incomoda em ti
E ainda amo quando me fazes melhor
O teu sorriso quando provocado por mim
É ainda mais lindo, é sempre lindo, mas é mais
Sinto tanta falta dos anos que não passei junto a ti
Às vezes choro madrugadas inteiras
E choro mais ainda por pensar que os anos que virão
Podem não nos ver juntas
E então tenho medo e me sinto pequena
E choro ainda por não ter tua mão pra segurar
E tua voz sonolenta a me dizer que está tudo bem
Queria tanto ser outra pra ti
Ser forte e madura
Ser quem querias que eu fosse
Quem mereces que eu seja
Talvez eu consiga…

[N.S]

Cubos de vidro

Não tenho pena de ti.
Não tenho pena de mim.
Mas tenho dó de quem não sabe
Que vai ser sempre assim.

Não sinto falta.
Não sinto a tua falta.
Mas sinto tristeza, por saber
Que vai ser sempre assim.

(São como cubos de vidro
lágrimas que eu não quero chorar)

Não penso no que perdi.
Perdemos os dois
Sem saber…
Já pensei, mas desisti.

São como cubos de vidro
lágrimas que eu não quero chorar

(Isso… me… incomoda…
O caleidoscópio em meu olhar)

[N.S.] 2006

Ele já sabia… ou Paradoxos II ou Lua Cheia


“(…) Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.”

Mário Quintana
(Esse cara sabia das coisas…)

Se tu me dizes em um momento que não me queres tua
E no outro que não me queres com outra
Se tu me dizes “a posse não existe”
Mas choras a um canto porque saí do jardim

Se tu não dizes, imagino que pensas
E quando eu penso, não entendo nada
Mas essa coisa tão complexa que é o coração da gente
Às vezes pula batidas pra não se incomodar

Tu és mulher, como mulher eu sou
Eu não te entendo,
tu não me entendes
(pelo menos nisso, nos entendemos)

[N.S.]
(Escrevi isso momentos antes da Lua Cheia
se mostrar em você)


“No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…”

Mário Quintana

am/pm

Gilmar trabalhava no turno da madrugada na loja de conveniência de um posto de gasolina. Era habituado a viver situações surreais, quase todas as noites, e especialmente entre três e quatro da manhã.

Esta madrugada ele estava - como sempre que não havia movimento - assistindo televisão em um pequeno monitor escondido pelo balcão, quando ouviu a porta se abrir, aquele maldito e irritante sininho. Levantou-se. Viu uma jovem mulher parada, segurando a porta entreaberta, a observá-lo. Pensou que aquela era a mulher mais bela que seus olhos tinham visto. Engoliu saliva grossa.

- Boa noite?
A mulher o olhava.
- Posso ajudar?
A mulher fechou os olhos,
- Pode.
abriu-os novamente,
- De que precisa?
olhou para a esquerda.
- De você.

A mulher lhe sorriu, pueril, deu meia-volta e saiu da loja. Gilmar ficou como bobo olhando para a porta. Sacudiu a cabeça como pra entender, deu de ombros e sentou-se novamente. Faltavam dez minutos para as quatro horas, quando começava seu programa favorito, aquele das mulheres com peitões.

Sem perceber, começou a sentir-se sonolento. Olhou para o relógio de parede: cinco para as quatro. O comercial na tevê vendia sexo por telefone. “Gemidos de aluguel”, pensou. “Legal”.

Acordou em um quarto de hotel barato. Olhou para o relógio, quatro horas. Pegou o controle da tevê no criado mudo, bebeu água, acendeu um cigarro. Sem querer, queimou a colcha. “Foda-se!” e pensou: dessa vez eu consegui. Sabia que ele a tinha visto, mas não sabia o quanto entendera de fato do acontecido. Ligou a tevê, a imagem de peitos enormes balançando em maiôs vermelhos surgiu aos poucos. Depois de algum tempo, mesmo sem sono, adormeceu.

Gilmar acordou e olhou para a direita. Quatro e cinco. Que sonho estranho… na tevê, maiôs vermelhos. A madrugada seguiu como previsto. Os bêbados habituais das cinco e meia, comprando a saideira, eram a senha para fechar o caixa.

Ela tentou por meses a fio repetir a experiência. Não sabia o que tinha permitido aquele momentinho em que quase o alcançou. Desistiu, definhou e morreu. Ele, parou de sonhar.

[N.S.]

[Foto: deviantart.com]

Queimando…

Risca um fósforo
Vê? O fogo tem três cores!
Como as que vejo em ti
Insistentes tremores!

Me abraça
Vê? A gente sempre aprende
E tem algo pra ensinar
O tempo passa, entendes?

Olha, olha pra mim
Essa é a melhor parte
Vê? Eu sou insistente…
Aprecio a verdadeira arte

Agora, já sabes
Pra eu ir contigo, tens que ir junto
Sem fechar o dia
Sem mudar de assunto

Esse teu cheiro
Gira meu mundo
Mostra as garras!
Me perco, sério…

Perde também a noção, os sentidos, o medo,
Afoga em três cores o desejo do qual fazemos brinquedo
Sabes guardar um segredo?
Pois é…

[N.S]

Paradoxos

Que imagem tão linda
Meus olhos avistam!
Qual quadro, com qual tinta
Pintado por qual artista?

Nada supera
Nem se compara
Ao que a visão me mostra:
O paradoxo do qual és mestra

[N.S]

Hoje esta escrevinhante completa 28 aninhos… tão pouco, e tanto tempo! Ainda é idade de descobrir, mas às vezes bate um medinho: existe vida após os 30?

Claro que a resposta é sim. Mas o medinho tá sempre por ali, logo mais serei uma “Balzaca”, meu Deus. O que me faz ver que a coisa não deve mudar tanto assim.

Por enquanto, me delicio com a descoberta de surpreendentes novidades. Ainda!

Parabéns para mim!!!