It´s over, it´s over, it is… is it?

•novembro 21, 2009 • Deixe um comentário

Pois é… meu último post foi minha tentativa desesperada de acreditar que poderia sim te esquecer do dia pra noite. Já devia saber que não iria funcionar. Admito que não posso te esquecer, pois os momentos que passei contigo foram os mais felizes e intensos de minha vida, com você me senti amada e desejada de verdade, como nunca antes, como talvez nunca depois.

Tentei deixar outra pessoa entrar na minha vida, para apenas magoá-la logo em seguida… falava com ela e ouvia a tua voz, e uma vez cheguei a chamá-la pelo teu nome, o que graças a Deus ela não chegou a ouvir…

Não vou desistir. Mas antes de te ter de volta, preciso ter minha vida sob controle. Sei que nosso amor ainda existe, dentro de mim, e dentro de você também. Espero que um dia você possa me reconhecer de novo, reconhecer a pessoa que você amou um dia tão intensamente, e então, meu amor, o sol voltará a brilhar… pra nós duas. Sei que posso te fazer feliz e que toquei você mais profundamente do que qualquer outra pessoa jamais tocou. E isso não se apaga.

Vou fazer a minha parte, e esperar… porque sei que nossos destinos estão entrelaçados. Faça a sua, e quando for a hora (você é esperta, saberá quando a hora tiver chegado), abra a porta pra mim novamente.

Quais as probabilidades?

•novembro 5, 2009 • Deixe um comentário

Caminhei até o espelho, apenas para constatar que as marcas ainda estavam ali. Olheiras profundas, negras. A encomenda chegou há algumas horas, abri o pacote, peguei o manual de instruções. Parecia tudo muito simples, uma simples substituição e a dor passaria. A hesitação ainda tomava conta de mim, entretanto, como constava no manual, isso era normal, acontecia sempre, com todos sem exceção. Era a etapa mais difícil a ser cumprida, a Decisão.

Tirei a camiseta imunda que usava já havia uma semana. Abri o manual na primeira página. “Primeiro passo: pegue o bisturi, faça a incisão, do lado esquerdo, um pouco abaixo do seio.” Tomei o bisturi com a mão direita, tremia. Cortei exatamente como mostrava a figura abaixo da instrução. Enfiei a mão com cuidado,as pontas dos dedos unidas; no final, precisei fazer um pouco de força, mas consegui entrar onde queria. Segurei o coração que ainda pulsava com a mão, e com uma puxada brusca, como mandava o manual, o arranquei de uma vez. Fiquei ali parada, olhando para ele, ouvindo o seu murmúrio, sua batida descompassada que cantava o teu nome em duas sílabas bem marcadas. Lembrei-me: “é mentira, você tem sim um coração, e ele bate por mim”. A raiva tomou conta de mim, e inutilmente tentei esmagá-lo entre as palmas das mãos. Ele não se calava, mas isto também estava previsto no manual.

Fui até a cozinha, seminua e com o coração nas mãos. Achei a tábua de carne, imunda, era ali que ele merecia morrer. Coloquei-o sobre a tábua, ele ainda batia, as duas sílabas bem marcadas, me atormentando. Abri a gaveta e achei o martelo de carne, cheio de saliências, deveria servir. Uma lágrima escorreu furtiva. “Não!!!”, gritei. A primeira martelada.

“Eu ainda amo você”

A segunda martelada.

“Não gosto mais de você!”

A terceira. Voaram pedacinhos de carne na minha testa, no teto.

“Conheci outra pessoa”

A quarta, mais violenta ainda.

“Não vou me encontrar com ela”

A quinta.

“Já me encontrei com ela”

Mais uma…

“Vou vê-la este final de semana”

Sete.

“Não quero magoar você. Desculpa.”

A última.

Olhei para a massa disforme sobre a tábua, ele finalmente cessara de bater, não me dizia mais nada. Levei o que sobrou até o banheiro, despejei na privada, puxei a descarga. Lavei a tábua com água corrente na pia. Dentro da caixa, um coração novinho em folha, que batia normalmente, sístole, diástole, tum-tum, normal, não chamava pelo nome de ninguém. Coloquei-o no peito, e satisfeita, costurei a incisão. Acabou o tempo de me importar, de sofrer, de achar que a culpa por tudo era minha. Um coração novinho em folha, que ainda não bate por ninguém, mas principalmente, que não grita mais teu nome durante a noite, sem me deixar dormir.

Are you lonesome tonight?

•novembro 3, 2009 • Deixe um comentário

Você… você sofreu como ninguém com a minha ausência. Você passou noites sem dormir esperando que eu te ligasse. Passou dias sem conseguir comer nem se concentrar em nada. Sonhou sonhos horríveis, imaginou cenas que poderiam ou não estar acontecendo. Você sabia que me amava e teve raiva de mim, se sentiu abandonada, traída, triste. Você me assistiu matar nossos sonhos um a um. Tudo que você via, lhe trazia a minha lembrança. Até o dia em que não aguentou mais, e me deixou partir. E então eu, do alto de toda a minha idiotice, te deixei ir, pois não podia mais te ver sofrendo assim.
Como eu sei disso? Eu… agora sofro com sua ausência, passo noites sem dormir, dias sem conseguir comer ou pensar em outra coisa que não toda minha estupidez. Minha cabeça esteve enfiada no meu rabo e eu percebi isso tarde demais. Você já tinha ido, tentando ser feliz. E eu, desde então, sonho sonhos horríveis, sinto coisas que nunca senti. E eu sei que te amo e que você me amou de verdade, e eu te perdi, e isso é a dor mais insuportável, saber o quanto eu magoei alguém que só queria me dar amor. Seu bem mais precioso, eu não soube cuidar.
Pois bem, minha cabeça está levantada de novo. Eu te disse, tive medo uma vez, não terei mais. Não tenho outra saída além de te deixar partir, mas não posso impedir meu coração de acreditar que seu amor por mim era tão forte que você seria capaz de me dar outra chance. Que um dia você poderá me perdoar de verdade. Você sabe, você me conhece melhor do que eu mesma. Eu te assustei, te fiz ter medo, meu Deus, como fui idiota. O que me resta disso tudo é a vergonha. Vergonha de não ter te amado e te respeitado como você merecia. Vergonha de ter tido medo de seu amor, medo da vida. Vergonha de ter perdido minha melhor amiga, minha confidente, minha amante, minha namorada. Você provavelmente nunca mais entrará neste blog, mas se entrar, saiba: eu errei mais do que qualquer pessoa já errou com você, mas eu me arrependo profundamente. Se um dia você se sentir capaz de me dar outra chance, estarei te esperando, e nunca, nunca, nunca mais errarei de novo com você. Te amarei e te respeitarei todos os dias. Estou na sua pele agora, sei como eu fiz você se sentir, e é horrível. Minha promessa pra você, se você abrir seu coração de novo pra mim, cuidarei dele, te farei a mulher mais feliz do mundo. É aquela coisa batida, mas que talvez seja real, se você voltar pra mim, é porque era pra ser. A dor é capaz de nos ensinar muito. E você, mesmo sem falar comigo, continua a me ensinar.
Outro dia assisti um filme muito bonito, chama-se “Sob o sol da Toscana”. Em determinado momento a protagonista se questiona sobre o sentido do que está fazendo, e lhe contam uma história, uma estrada de ferro que foi construída antes que houvesse trem para percorrê-la. Construíram porque sabiam que o trem viria. Vou construir, e esperar, meu amor. Por você, que um dia há de voltar. Seja feliz no meio tempo. Te amo.

Are you lonesome tonight? I am.

 

 

Tudo que eu não quis

Foi te fazer tão infeliz

Tudo que você me deu

No escuro, num quarto de hotel

Você e eu

 

E se por acaso eu te telefonar

E ouvir estrelas nos teus olhos

E se por acaso, não mais te encontrar

Esconda-se de mim

Eu vou te procurar

 

Tudo que você pediu, eu providenciei

Tudo que eu disser, foi mal

Tudo que eu queria ouvir, eu já imaginei

Faz parte te perder

Pra te ganhar no final?

 

Saudade é só uma palavra

incapaz de descrever como me sinto agora

Amor… amor… falta um pedaço de mim

Será que é assim?

E com vocês, o Leskut!

•novembro 8, 2008 • 9 Comentários

Há aproximadamente 20 dias, o site Parada Lésbica criou uma rede social com uma proposta diferente: o Leskut. Como o nome sugere, é voltado para mulheres que gostam de mulheres. E qual a importância disso? Sei lá. Incentivada por uma amiga, resolvemos investigar.

O cadastro é bastante rápido, e a aprovação do pedido também. Devidamente registrada, fui fuçar um pouco. A interface é bastante limpa, e cada usuário pode ‘customizar’ sua página pessoal para deixá-la mais interessante. As comunidades são bastante diversificadas e bem humoradas. As ‘membras’ idem.

E daí? Daí que eu parei pra pensar sobre o que isso pode representar para a comunidade lésbica: visibilidade dentro da invisibilidade. Muitas mulheres (e eu inclusive) tem medo de mostrar a cara em outras redes, como o Orkut. E por aqui parece estar todo mundo no mesmo barco. O que me levou a outro pensamento – o Leskut tem que permanecer território esclusivamente feminino. Não se trata de misandria, mas o interessante mesmo seria ver o desenvolvimento da rede só com mulheres (lésbicas, bis, pans, etc e ao contrário), o que com certeza com o tempo e a divulgação vai ficar cada vez mais difícil.

Pra nós, mulheres lésbicas, ter um espaço só nosso é o paraíso. Podemos fazer amizade com pessoas que tenham, além do fato de serem lésbicas, outras afinidades com a gente. Podemos divulgar sites, blogs, filmes, músicas para um público mais adequado. E podemos, estando solteiras, entrar na pista pra negócio, é só abrir o cardápio. As possibilidades são infinitas. Parece o paraíso, mas todo lado tem um avesso. Convenhamos, lésbicas adoram um drama. A ciumeira e o barraco vão comer soltos.

E daí²? Daí nada, vamos esperar pra ver no que dá, mas gostei da novidade e queria divulgar aqui.

Enjoy!

Leskut

Sumi?

•outubro 17, 2008 • 5 Comentários

Sim, mas não, ainda não desisti desse meu mundinho, ele anda me fazendo falta. Explicações burocráticas: estou terminando o trabalho de conclusão da faculdade, aquela coisa toda. Não tenho tempo nem pra ficar deprimida! rs

Só queria escrever pra avisar quem ainda me visita, que logo mais estarei de volta pro meu aconchego =)

Deixo 3 linhas que achei perdidas por aqui:

Não vale a pena, eu lhe digo
contar as moedas no fundo do bolso
pra comprar dignidade

[N.S.]

Selos

•agosto 16, 2008 • 4 Comentários

Por estes dias recebi dois selos, um deles do Pequenos Pecados, um do Beijei um príncipe…, dois blogs que eu adoro e visito com freqüência.

As regras pra este selo são:

- o prêmio deve ser atribuído aos blogs que vocês considerem ser bons. Entende-se como bons blogs aqueles que vocês costumam visitar regularmente e deixar comentários.
- se você recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog. Neste post devem aparecer o selo e as regras.
- indique outros nove blogs ou sites para receberem o prêmio.
- exibir orgulhosamente o selo do prêmio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele e de quem te presenteou.

A regra para repassar o selo é a seguinte:

Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras…”.

E três condições:
* Aceitar exibir a distinta imagem
* Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
* Escolher quinze 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos

Bom, como sou um pouco nova nesse negócio de blog, vou repassar os dois selos pros mesmos blogues…

Ei-los!

Diário de uma Dyke
Digitais de cada um

Eu tenho medo é da lucidez
Lesbosfera
Na tribo da Helen Psi
Queer Girls
Tão frágil quanto a Porcelana
Vagner Heleno

Acho que era isso… Estes são os que eu visito mais, além dos dois q me deram os selinhos… Obrigada meninas!

Sem querer

•agosto 3, 2008 • 6 Comentários

Eu chorei.
Chorei como há muito tempo não me permitia.
Não era um choro triste, não era soluçado.
Chorei porque naquele momento me sentia grata. Aliviada.

Meu corpo cansado precisava do teu.
Minha mente exausta não se permitia o não-pensar.
Eu chorei sem querer.
Chorei porque ali, em teus braços, era o único lugar onde eu queria estar.

Estas lágrimas foram o teu maior presente.
O choro incontido, a minha maior entrega.
O suor e o sabor de cada primeira vez daquela noite,
Memória que não se apaga.

[N.S.]

Flores mortas

•julho 26, 2008 • 3 Comentários

Andei pela rua ontem
Andei sem rumo
Pisei em flores mortas
Numa calçada qualquer

Parei no espaço
Como coisa inanimada
A observar pessoas e
Monstros de metal passando

Tudo frio, sem sentido
Automático e dispensável
Difícil de entender pra mim -
o mundo é um lugar estranho
e desconfortável

[N.S.]

Eu menti. Tive uma inspiraçãozinha e acabei despejando algo aqui antes de agosto. =)

[foto: deviantart.com]

Satisfações…

•julho 12, 2008 • 4 Comentários

Resolvi me manifestar, porque percebi que mesmo eu tendo andado muito ausente deste espaço, algumas pessoas ainda passam por aqui, provavelmente esperando algum texto novo. Não quero que pensem que desisti deste meu mundinho, apenas estou obrigada a dar um tempo, pois estou em outra cidade com acesso limitado ao computador, então a vida bloguística está um tanto defasada. Mas logo mais pretendo retomar meus escritos, pra quem se interessar, provavelmente na segunda semana de agosto. Prometo mantê-los(as) informados!

“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”

Solipsist…

•junho 16, 2008 • 8 Comentários

Como ando em tempos de pouca criatividade: algumas pessoas me perguntam de onde vem o nome do blog. Ele foi inspirado por essa música da Lauren Hoffman, que me levou a descobrir o que a palavra significa, e me pareceu apropriada para o que eu queria publicar neste blog.

[Solipsismo:

Corrente filosófica que determina que exista apenas um Eu que comanda o Mundo, ou seja, o mundo é controlado consciente ou insconscientemente pelo SER. Devido a isso, a única certeza de existência é o pensamento, instância psíquica que controla a vontade. O mundo ao redor é apenas um esboço virtual do que o Ser imagina. Como também as pessoas, acreditando que são resultados de uma experiência mental.]

Solipsist
(Lauren Hoffman)

Here in the dark, dizzy from the stars that light your face
the winter makes you shake, let me be the warm place
´cause I burn with the fire of a lifetime waiting for you

If nobody sees us, do we exist?
Don’t ever fall in love with a solipsist
If I´m falling to pieces, can he make me whole?

If nobody sees me break will I make it on my own?

You burn through the film in shades of the sunrise
I am the moon, ablaze in the first light

I’ve been watching their faces, I’ve seen through their eyes
I´ve wandered through places where the desperate tell their lies
They pass like an ocean, over my skin
I’ve been holding my breath for years so they won’t get in

 
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